Uma reflexão sobre as ostras

Quando pensamos no processo que ocorre com as ostras, podemos efetivamente tirar grande aprendizagem para nossa vida cotidiana. A pérola é fruto de uma perturbação que a ostra sofre, isto é, um grão de areia por algum motivo penetra na ostra e, como mecanismo de defesa, ela libera madrepérola e cobre a areia com essa substância que se transforma em algo precioso, a ostra.

Se fizermos um paralelo com o ocorrido com a ostra e nossa condição humana, podemos ponderar que nós precisamos, igualmente, de adversidade para amadurecermos e darmos frutos. Experimentar situações que nos ponham sobre certa tensão, frustração, ameaças, contrariedades, enfim, ao passarmos por experiências diversas, agradáveis ou não, elas se consubstanciam, efetivamente, em fundamentais para nosso desenvolvimento psíquico, afetivo e emocionalauxiliando o ego a alcançar desenvolvimento ou, de outra maneira, a produzir pérolas.

Tentar proteger nossos filhos das necessárias circunstâncias que se lhe apresentam pode parecer um ato de amor e talvez seja, mas temos que estar cônscios que todos precisamos de tensões para crescermos. O ego que não experiencia não consegue expandir e pode desenvolver inúmeros conflitos psicológicos. Isto significa, por exemplo, que nossos pais têm o direito e o dever de nos orientar, aconselhar, sugerir, ponderar junto, educar mas nunca de viver nossa vida ou determiná-la sob pena de nos tornarmos frágeis, debilitados, inseguros, com baixa autoestima e imaturos.

Para nosso próprio crescimento devemos concentrar nossa atenção na possibilidade de vivermos nossas vidas com intensidade, evitando alienarmos de nosso próprio existir, ninguém pode viver e experienciar nossa vida por nós. A vida é um dom inalienável.

A educação é um componente importante para a melhoria pessoal, ela pode sim auxiliar na (trans)formação do sujeito, na construção de sua autonomia e de uma ética pautada em valores nobres e gregários. O mais interessante neste processo educacional seria ajudar no amadurecimento da psique de forma integral e, numa perspectiva existencialista, suscitar reflexões que proporcionem subsídios para tal. Isso se tivermos a ‘sorte’ de recebermos uma educação de verdade…Torçamos para que ela caminhe nessa estrada. Sabemos que muitos educadores estão empenhados, apesar de toda a dificuldade.

Finalizando, para refletir com Schopenhauer: “os eruditos são aqueles que leram nos livros; mas os pensadores, os gênios, os iluminadores do mundo e os promotores do gênero humano são aqueles que leram diretamente no livro do mundo”. Que consigamos fazer esta leitura de forma radical e profícua.