Triste Bahia! Ó quão dessemelhante!

Na década de 1970 havia a consciência e orientação socioeconômica de que a Bahia, pela sua tradição, patrimônio histórico e cultura, reunia todo potencial para se tornar um grande polo turístico. Havia quem apostasse, inclusive, que seria capaz de superar o Rio de Janeiro, até então o centro de maior destinação turística do País.

Tal ideia se deu ao mesmo tempo em que começou a se instalar o Polo Petroquímico de Camaçari, a COPENE foi inaugurada em 1972, que evidenciava a Bahia como um mercado em expansão, pois o Polo propiciava o crescimento da economia e acelerava o processo de industrialização nacional.

Tornar a Bahia centro de captação turística era uma decisão embasada na riqueza dos recursos naturais e culturais, a exemplo da grande extensão do litoral, dos atrativos da Chapada Diamantina, e tradições como o candomblé, a capoeira e o carnaval. Tudo isso contribuía para instalar a indústria não poluente, limpa e geradora de empregos que é o turismo.

Nesta onda embarcaram grandes empreendimentos hoteleiros, inclusive internacionais. O segmento de eventos era impulsionado pela construção do monumental Centro de Convenções da Bahia, inaugurado em 1979. Toda uma estratégia política e econômica foi montada para fazer crescer todos os segmentos turísticos. A pauta do CCB lotava com eventos de porte nacional e internacional e abarrotava os hotéis.

Pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo acorriam para conhecer a velha Bahia que também aparecia nas canções de cantores e compositores não baianos, a exemplo de Martinho da Vila.

Mas de uma hora para outra a Bahia mudou. O turismo passou a ter o caráter de exploração sexual, o carnaval vendido como a festa das bacantes e os estrangeiros aqui chegavam em busca de orgias e exageros. O Mercado Modelo perdeu a sua poesia, as rodas de samba e de capoeira perderam o encantamento, e o candomblé passou a ser rechaçado pelas religiões neopentecostais, ditas evangélicas,

As belezas naturais antes cantadas em prosa e verso pelos intelectuais e artistas da terra hoje já não são vistas em sua maior parte. Sumiram com a ocupação desordenada de favelas de todos os tipos e níveis que se dependuram em todos os morros e crateras que compõem a topografia da primeira capital do Brasil.

Suja, velha, abandonada pelo Poder Público e também pela população, Salvador agoniza ante um mundo automatizado e dinâmico que exige planejamento, organização e condições de dignidade para seus habitantes. O turismo faliu. Faltam áreas de lazer, ambientes apropriados para atividades culturais, teatros, clubes sociais, livrarias, casas de espetáculos… Falta muito de tudo.

Salvador anda na contramão da história. O metrô, agora tão badalado, chega com décadas de atraso. Só para ilustrar: o de São Paulo foi inaugurado em 1974, o do Rio de Janeiro em 1979, Recife, 1985, Belo Horizonte 1986. Chegou retardado à capital baiana e ainda em obras que tumultuam a vida da pólis. Detalhe: as estações são inauguradas mas sem as passarelas de acesso e descenso estarem prontas.

Perdida no tempo, à medida que o mundo avança Salvador se diminui cada dia mais. Inchada e tomada desastrosamente pelas favelas que se dependuram em todos os morros e crateras da sua topografia.

O Centro Industrial de Aratu (CIA) e o Polo Petroquímico não garantem mais a economia do estado. O turismo também não. A Bahia precisa se reinventar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *