Tinta promete proteger ambiente de insetos por até dois anos

O verão está chegando ao hemisfério sul, e com o aumento das temperaturas é preciso tomar cuidado com as pragas urbanas, como mosquitos, baratas e ratos, que podem ser vetores de doenças.

Para manter a casa segura, uma série de produtos podem ser utilizados, como a pulverização dedetizadora, géis, armadilhas adesivas e, uma novidade no mercado brasileiro, a tinta inseticida. O produto promete proteger o ambiente de insetos por até dois anos.

A Artilin 3A Mate foi aprovada no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no ano passado e vai passar a ser utilizada este ano. Ela é aplicada nas paredes de ambientes internos, deixando um efeito transparente e matificado, e tem ação inseticida, antimofo e antiácaros.

“Aqui no Brasil já fizemos testes para o mosquito Aedes aegypti, moscas, baratas, aranhas, ácaros e fungos, mas na literatura internacional já foi comprovada a ação contra outros insetos, como formigas”, explica Marcelo Brizola, sócio da Brasil Global, responsável pela importação do produto.

De acordo com o fabricante, um litro da tinta rende cerca de 14 m². Ela foi aprovada para uso apenas por empresas certificadas de controle de vetores, como é o caso da baiana Larclean, que será a primeira no Brasil a trabalhar com o produto.

O biólogo e responsável técnico da Larclean, Marcelo Grilleto, explica como a tinta funciona: “Quando o inseto toca na superfície da parede, os cristais do inseticida, a deltametrina, causam degeneração do sistema nervoso do inseto, paralisando-o até a morte, em até 24 horas”, esclarece Marcelo.

Para Grilleto, uma das vantagens do produto é que ele oferece um risco toxicológico menor que as pulverizações tradicionais: “Na pulverização são usadas diversas substâncias, como o fiprobil, a citermetrina e a lambda-cialatrina. É preciso que as pessoas fiquem longe de casa durante o procedimento e tomem cuidado com pratos, copos e talheres”, conta.

A duração dos produtos também é diferente: a pulverização dura até 90 dias. A Larclean pretende utilizar a tinta no combate a insetos voadores, que são vetores de doenças como dengue e chikungunya. “A tinta é uma das principais aliadas no combate a eles em ambientes internos, já que de modo geral eles têm foco de reprodução no meio externo”, diz o biólogo.

Prevenção e combate

A necessidade de tomar cuidado com esse tipo de inseto aumenta no verão. “Nessa estação o tempo quente e a umidade aceleram o metabolismo e a reprodução das pragas em geral, e se tem uma explosão nas populações”, explica o presidente da Associação Baiana de Empresas Controladoras de Pragas, Luiz Leal de Oliveira.

Para evitar mosquitos transmissores de doenças, a recomendação básica é evitar o acúmulo de água em vasos de plantas e outros recipientes, além de inspecionar calhas de telhados e outros pontos que possam gerar focos.

Para outras pragas, Oliveira ressalta a importância de não se tentar utilizar venenos e pulverizações líquidas em casa sem a ajuda de uma empresa especializada, o que pode causar reações alérgicas e mal-estar. “Cada caso é um caso, é importante procurar uma empresa para saber o melhor método a se utilizar”, alerta.

É preciso diferenciar, por exemplo, se há infestação na residência, ou se só será feita a prevenção. A pulverização só é necessária em casos em que é identificada infestação. “É preciso tomar alguns cuidados. Animais domésticos, recém-nascidos, idosos, gestantes e pessoas alérgicas são grupos de risco e não podem estar presentes no ambiente por 24 horas após o procedimento”, explica Oliveira. Os armários também precisam ser esvaziados para evitar contaminação. Já em casos em que a pulverização não é necessária, existem outras opções, como os géis inseticidas. “Eles são aplicados em pontos estratégicos para atrair os insetos, que ingerem o produto e morrem. É um controle mais limpo, que não altera a rotina da família e não tem riscos”, explica Oliveira.

Uma opção que não utiliza venenos são as armadilhas de captura por fotoatração. “Elas possuem luzes de LED em placas autocolantes e utilizam a luminosidade para atrair os insetos”, conta Grilleto, da Larclean. Por não conter inseticidas químicos, essas armadilhas são seguras para uso inclusive em hospitais e locais onde há manipulação de alimentos, que não podem utilizar venenos.

Fonte: Gabriela Medrado, A Tarde
Imagem destaque: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

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