Só 1,9% dos cursos de graduação tiveram nota máxima em avaliação do MEC

Assim como no ano passado, as faculdades públicas tiveram melhores resultados em relação às particulares.

Somente 1,9% dos cursos superiores avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) em 2016 receberam nota máxima. Os dados do Conceito Preliminar de Curso (CPC) foram divulgados nesta sexta-feira (24) para consulta das universidades e estarão disponíveis para o público na segunda-feira (27) no sistema e-MEC (http://emec.mec.gov.br/).

Para avaliar a qualidade dos cursos de graduação, o CPC leva em conta quatro critérios: o desempenho dos formandos no Enade; o que a graduação agregou ao aluno; o corpo docente; e a opinião dos alunos sobre o curso (currículo, infraestrutura e atividades fora de sala de aula). As notas variam entre 1 e 5.

Ao todo, 4.196 cursos foram analisados. Eles pertencem às áreas de saúde e ciências agrárias ou aos eixos tecnológicos em ambiente e saúde, produção alimentícia, recursos naturais, militar e segurança (veja lista abaixo). Para a avaliação, é necessário que o curso tenha ao menos dois estudantes.

O levantamento mostra que 0,4% dos cursos (15) tiveram nota 1; 7% (293), nota 2; 50,5% (2.117), nota 3; 40,3% (1.690), nota 4; e 1,9% (81), nota 5. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), os que tiveram notas abaixo da média tendem a receber visitas in loco de técnicos do MEC para avaliar as razões do resultado.

O coordenador-geral do controle de qualidade do Inep, Renato Santos, explicou que notas baixas não significam necessariamente que o curso é ruim. Ele disse ainda que essas mesmas graduações foram avaliadas pela última vez em 2013.

Os desempenhos melhores foram os das instituições públicas. Entre os fatores que pesaram no resultado está a qualidade dos professores — tanto por causa do regime de trabalho quanto da capacitação dos docentes.

O secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Henrique Sartori, disse ser importante verificar como as instituições vão se comportar a partir das notas dadas. Ele afirmou ainda que todos eles, mesmo os que apresentam notas mais baixas, estão em situação regular.

“Dentro do ambiente regulatório, estamos muito acostumados a verificar quem é ruim. Quem é 1 e quem é 2, quem merece uma sanção, quem merece uma visita”, disse.

Sartori declarou ainda que, para ser considerado satisfatório, um curso tem de ter nota a partir de 3. “Os números refletem que há muitos ambientes considerados bons. […] Os indicadores vão ajudar nas decisões regulatórias com intuito de a gente bonificar as instituições [como aumento de vaga e dispensa de visita].”

Qualidade das instituições

O MEC também divulgou o Índice Geral de Cursos (IGC), indicador de qualidade que avalia as instituições de educação superior.

Os dados do MEC mostraram também que só 1,5% das instituições de ensino superior atingiram nota máxima, enquanto 14,4% tiveram índices considerados insatisfatórios.

O IGC leva em conta, além do conceito dos cursos, a avaliação dos programas de pós-graduação oferecidos pelo estabelecimento. Foram 2.121 organizações analisadas.

Cursos avaliados em 2016
  • Bacharelados: agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social e zootecnia
  • Tecnólogos: agronegócio, estética e cosmética, gestão hospitalar e gestão ambiental

Fonte: G1
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