Reflexões

Com tantas coisas absurdas acontecendo no nosso país, ficamos nos perguntando sobre o que escrever num momento que a indignação, a sensação de impotência e a desesperança assolam…

Pensarmos soluções pode parecer romântico ou desesperador, então, resolvemos optar pelo ser humano, ainda acreditamos que temos solução, que somos muitas possibilidades. Seguindo este entendimento lembramos dos caminhos que conduzem a uma breve reflexão psicológico-filosófica da existência.

Acreditamos que quando o indivíduo se aproxima do Self, pensando na proposta junguiana, ele toma consciência da sua sombra e do que ela possibilita. É um debruçar-se sobre a sua condição eminentemente humana de inveja, desejo, egoísmo, vaidade e tantas outras características que dizem deste ser que somos, desta nossa humanidade e que, por diversos motivos, negamos a nós mesmosacessar estenosso ser íntimo, fazer isso se consubstanciaria em uma condição ímpar de desenvolvimento e maturidade. O problema, nesta perspectiva, não é ser egoísta ou invejoso porque no geral todos temos estes sentimentos em nós. A imprescindibilidade é ter consciência destes sentimentos e ajuizarmos o que faremos com esta informação.De outra maneira: meditarmos sobre quais procedimentos são necessários para que, vivendo com, isto é, em comunidade, possamosconduzir estes sentimentos de tal maneira que não afetem o sentido primordial de viver gregariamente e ter saúde psicoemocional.

Segundo Aristóteles, e já dissemos isso reiteradas vezes,“o fim do homem é a felicidade” e ser feliz, para o filósofo, perpassa pelo entendimento da máxima moral que é “pensar o bem do outro”, a utopia de uma comunidade em que todos pensem e tenham como princípionorteador esta máxima… Seguindo neste entendimento, jamais desviaríamos dinheiro público, qualquer que fosse – um dos piores exemplos é o desviado da merenda escolar onde muitas crianças dependem daquela alimentação que será a única que terão durante todo o dia… É uma bola de neve, porque, na verdade, se não houvesse desvio e um capitalismo predatório, essa criança não seria dependente da merenda, pois teria o mínimo de dignidade para sua existência –ou teríamos atitudes de benefício próprio em detrimento do bem comum.

É muito complicado, ainda estamos num estágio tão incipiente de nossa condição humana, tanto para evoluir, desenvolver, amadurecer…. Valorizamos tantas futilidades e nossos irmãos morrendo de fome, ou sendo condenados pelo resto da existência pois terão, por exemplo, má formação cerebral devido as dificuldades que estão expostos… Isso sem falar nas pessoas que morrem sem atendimento médico, pois a saúde está sucateada em todo o país,ou vítimas da ‘insegurança’, como resolver estes problemas e tantos outros?

Na verdade, não podemos pensar essas coisas de forma isolada dada a complexidade que elas estão emaranhadas, elas seriam alvo de teses de doutorado facilmente, então não nos arvoramos a resolvê-las, mas convidamos a refletir juntos.

Pensamos numa possibilidade e não nos sentimos reducionista ou românticanem propondo uma panaceia, mas falando do mesmo, daquilo que todos já sabem, o lugar comum no mundo todo que buscou resolver parte de seus problemas: investiram em educação e, certamente, esta condição seria um grande alento para estas realidades.

Um povo educado sob uma égide emancipadora, crítica e reflexiva não se submete a desmandos, não aceita a corrupção como possibilidade, muito menos que sejam tratados como coisa, um povo educado fiscaliza seus governantes e deles exige respeito e tratamento cidadão.

Um povo educado numa perspectiva humanitária integral tem mais saúde, não sucumbe tão facilmente às drogas, não deprime, não adoece tão facilmente, reestrutura-se e reinventa-se. Propostas de educação não faltam, existem modelos, referências, especialistas, teses e teses, estamos ciente de que não podemos esgotar esta discussão aqui, mas temos a certeza de que falta ‘vontade’ de realizar, seja ela política, econômica ou ideológica. Quanto mais desviaremos deste caminho pagando preços inenarráveis?Para encerrar, reflitamos: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” (Kant).