Panorama Coisa de Cinema começa no dia 8 e destaca longas baianos

A nova geração do cinema brasileiro vai dominar as telas neste XIII Panorama Internacional Coisa de Cinema, que começa no dia 8 de novembro, com a exibição do nacional As Boas Maneiras, e segue por uma semana. O festival, que teve sua primeira edição em 2002, acontecerá em Salvador, no Espaço Itaú Glauber Rocha, e também em Cachoeira.

Na Mostra Competitiva de Longas estão apenas produções dirigidas por estreantes no formato: Pela Janela, de Caroline Leone; La Manuela, de Clara Linhart; O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida; Diários de Classe, de Maria Carolina e Igor Souza; Música para Quando as Luzes se Apagam, de Ismael Caneppele; Café com Canela, com Glenda Nicácio e Ary Rosa; António Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus e Baronesa, de Juliana Antunes.

E, entre os longas, a Bahia está representada com duas produções: Diários de Classe e Café com Canela, além de outra dirigida por uma baiana radicada em São Paulo, O Animal Cordial. Na Competitiva Nacional de Curtas, há três filmes baianos: Galeria F, Quando a Chuva Passa, de Henrique Dantas; Mamata, de Marcus Curvelo, e Fervendo, de Camila Gregório.

Cláudio Marques, idealizador e um dos curadores do Panorama, comenta a vocação do evento para dar destaque a novos cineastas: “Desde as primeiras edições, o Panorama acompanhou a carreira de cineastas que ainda estavam começando e hoje estão consolidados, como Kléber Mendonça Filho (Aquarius) e Gabriel Mascaro (Boi Neon). A gente sente necessidade de abraçar uma nova geração, então a competitiva está voltada para diretores iniciantes”, explica.

Pela Janela, de Carolina Leone, foi premiado em Cannes pela crítica internacional
(Foto: Divulgação)

No total, serão exibidos em torno de 130 filmes no evento, entre longas e curtas nacionais e estrangeiros, número que, segundo Cláudio Marques, mantém a média das últimas edições do Panorama.

Viés político
O curador reconhece o viés político dos filmes exibidos no festival baiano, mas ressalta que essa não é a prioridade na escolha dos filmes. “Nas produções nacionais, nem a política, nem a sociologia ou a história se sobrepõem ao fazer cinematográfico, porque o cinema é uma ciência em si”.

Cláudio destaca a diversidade temática e estética da produção nacional e, especialmente, dos filmes baianos: “O nosso cinema está se distanciando da televisão e do teatro. Diário de Classe, por exemplo, tem forte conteúdo político e retrata a violência e a pobreza de forma muito sóbria, sem sensacionalismo”.

O documentário de Maria Carolina e de Igor Souza acompanha três mulheres que frequentam salas de aula de alfabetização para adultos em escolas na periferia de Salvador e num presídio feminino. Uma é empregada doméstica, a outra, uma jovem trans e a terceira cumpre pena por tráfico de drogas.

Café com Canela
A outra produção baiana na Competitiva de Longas, Café Com Canela, não merece o rótulo de “filme político”, mas, nem por isso, deixa de adotar um tom crítico. “Não é um filme político em seu discurso, mas o fato de escolhermos atores negros para protagonizá-lo não deixa de ser uma escolha política. Muitos filmes brasileiros, alguns até financiados com dinheiro público, não representam os negros”, diz Ary Rosa, que dirige o filme com Glenda Nicácio.

Tanto Glenda como Ary  são de Minas Gerais, mas vivem em Cachoeira há quase dez anos, desde que vieram estudar cinema na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Café com Canela venceu três prêmios no Festival de Brasília: melhor atriz, para Valdinéia Soriano, melhor roteiro, para Ary Rosa, e júri popular. Esse último garantiu R$ 200 mil para a distribuição do longa-metragem. “Não adianta fazer o filme e ele não chegar aos cinemas”, diz Ary, sobre a importância do prêmio.

O filme conta a história de Margarida, uma mulher que vive isolada da sociedade após a morte de um filho. Ela se separa do marido, Paulo, e perde o contato com os amigos e pessoas próximas. Uma dia, ela reencontra Violeta, uma ex-aluna que assume a missão de devolver um pouco de luz à pessoa que havia sido importante pra ela na juventude. Segundo o codiretor, é um filme sobre a afetividade.

CONCORRENTES

Competitiva de Longas
Pela Janela, de Caroline Leone SP/Argentina
La Manuela, de Clara Linhart – RJ
O Animal Cordial, de Gabriela Amaral Almeida – SP
Diários de Classe, de Maria Carolina e Igor Souza – BA
Música para Quando as Luzes se Apagam , de Ismael Caneppele – RS
Café Com Canela, de Glenda Nicácio e Ary Rosa – BA
António Um Dois Três, de Leonardo Mouramateus – CE/ Portugal
Baronesa – Juliana Antunes (MG)

Competitiva de curtas
A Passagem do Cometa – Juliana Rojas (SP)
Chico – Eduardo Carvalho e Marcos Carvalho (RJ)
De Tanto Olhar o Céu Gastei Meus Olhos – Nathália Tereza (PR)
Fervendo – Camila Gregório (BA)
Filme-catástrofe – Gustavo Vinagre (SP)
Galeria F, Quando a Chuva Passa – Henrique Dantas (BA)
Inocentes – Douglas Soares (RJ)
Mamata – Marcus Curvelo (BA)
Meninas Formicida – João Paulo Miranda Maria (SP)
Nada – Gabriel Martins (MG)
Na Missão, com Kadu – Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito (MG)
Peito Vazio – Leon Sampaio e Yuri Lins (PE)
The Beast – Michael Wahrmann e Samantha Nell (Brasil/França/África do Sul)
Torre – Nádia Mangolini (SP)
Travessia – Safira Moreira (RJ)
Vando Vulgo Vedita – Andréia Pires e Leonardo Mouramateus (CE)

Fonte: Roberto Midlej, Correio
Imagem destaque: Divulgação