O que PENSAR sobre EDUCAÇÃO?

Qualquer trabalho que se dedique criteriosamente à discussão sobre educação, já merece um olhar cuidadoso e benevolente dada a importância de tal tema. Seja pela relevância conceitual, pelo rigor metodológico ou mesmo pela identificação de problemas que escapam à maioria das pessoas, porque se encontram velados no universo daquele pesquisador que perscrutou a investigação de uma situação invisível aos olhos do acadêmico encarcerado nos gabinetes dos institutos de educação dos centros de excelência. Que seria, aliás, dos centros de excelência, se não fossem os pesquisadores que põem os seus olhares à disposição de todos nós? Talvez por esse motivo, nesses momentos, eu pense em Kant, sobretudo quando esse grande filósofo assevera que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” e acrescenta, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade”.

 

Nossa educação ainda carece melhorar muito, construir novas possibilidades, encontrar o justo meio-termo aristotélico, lutar contra o processo hegemônico vigente, vencer paradigmas ultrapassados e buscar adaptar o entendimento dos antigos de que a virtude é passível de ensinamento…

Neste contexto cabe também citar Krishnamurti, quando em conversa com seus educandos propõe uma reflexão sobre o nosso processo de ser-sendo no mundo, e com a alteridade como exercício pedagógico. Essa leitura heideggeriana(danteana) da existência nos evoca uma série de questionamentos igualmente extraídos do pensador indiano, a exemplo de quando nos provoca a pensar: “O mundo está cheio de pessoas empedernidas, de homens cruéis, insensíveis; como modificá-los? Então ele responde: Como modificar as pessoas empedernidas, cruéis, apáticas, que povoam o mundo? É esse o problema? Por que preocupar-se em modificar os outros? Vocês é que devem transformar-se”. Ajuízo que esta é uma questão radical a refletir-se no processo educativo: ser o exemplo, o modelo, o paradigma a ser seguido e/ou questionado, aliás, a práxis pedagógica dos educadores deve se desvelar no seu exercício educativo responsável e criterioso.

Nossa educação ainda carece melhorar muito, construir novas possibilidades, encontrar o justo meio-termo aristotélico, lutar contra o processo hegemônico vigente, vencer paradigmas ultrapassados e buscar adaptar o entendimento dos antigos de que a virtude é passível de ensinamento, isto se pretendemos um projeto diferente de educação. É preciso desenvolver um processo de heautognose para que possamos a partir dela encontrar uma forma radical de práxis pedagógica que seja efetiva na construção de uma sociedade menos desigual, mais tolerante com as diferenças, com o multiculturalismo e que auxilie na ‘produção’ de seres humanos melhores, autônomos e livres.

Refletir sobre estas necessidades ao estilo freireano pensar sob a égide da “ação-reflexão-ação” e Gramsciana vislumbrando que “a tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante”. Evocando sempre os antigos devido a sua relevância neste contexto e o entendimento platônico da educação e da dialética como formadora do sujeito-bom cidadão: “a orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior”.

Compreendemos que alguns podem julgar ingênuo ou utópico pensar assim ou sustentar estes argumentos, mas como diz Freire “não é possível educar sem utopia” ou, ainda, é preciso ser utópico para produzir algo novo. Sendo assim, proponho duas ponderações: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã” (Victor Hugo) e “A utopia está lá no horizonte. Aproximo-me dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar” (Eduardo Galeano).

 

 

Créditos da imagem: gramadofm.com.br