O que é Felicidade?

Ser feliz é uma proposta existencial ou, pelo menos, deveria ser, é, seguramente, o sentido de totalidade que envolve o ser humano, nas palavras de Aristóteles: “o fim do homem é a felicidade”. Na tentativa de compreendermos o real significado encerrado na ideia‘ser feliz’, podemos suscitar as mais diversas reflexões, mas, é possível cogitar que a mais efetiva delas é a ideia de que para sermos felizes carecemos principalmente de conhecimento.

A ignorância é, sem dúvida,uma grande vilã, quando não conhecemos nossas reais dificuldades, limitações, características, enfim, nosso ser íntimo, lançamo-nos no rol das pessoas incompletas e desditosas. Tal condição fatalmente nos aprisionará num vazio existencial de enorme profundidade.

Hoje nossas relações imaturas, superficiais e egoicas nos conduzem a uma fuga do eu e busca excessiva e constante de prazeres, os quais, efetivamente, não nos trarão felicidade plena, apenas um distanciamento momentâneo e fugaz disto que verdadeiramente somos. Ao retornarmos, a sensação de vazio e infelicidade será ainda mais forte.

Para sermos felizes precisamos viver uma vida intensa, distante das futilidades, da pequenez, como diz Disraeli: “a vida é curta demais, para ser pequena”, não devemos viver para as paixões do corpo apenas, pois são efêmeras e carecem de continuidade ad infinitum para realizar-se e, considerando nossa condição humana de eterno desejo e insatisfação, nunca conseguiremos. Carecemos de algo mais como, por exemplo, (re)conhecer as paixões da psique, aquelas que motivam o ser e o fazem mais completo.

Quando sabemos de nós mesmos, quando encontramos nossas características e nos predispomos a melhorar/modificar aquilo que nos subtrai a felicidade, caminhamos numa direção efetiva na construção de um ser melhor e, por conseguinte, de uma existência mais ditosa com atitudes adultas e equilibradas. Sendo assim, nossa proposta neste artigo é fomentar um mergulho nos áditos deste ser que somos e suas possiblidades, pois, nas palavras de Jung, “tal como somos, assim agimos”.

 

Para sermos felizes precisamos viver uma vida intensa, distante das futilidades, da pequenez […] Carecemos de algo mais como, por exemplo, (re)conhecer as paixões da psique, aquelas que motivam o ser e o fazem mais completo.

Sugerimos ainda, cônscios deste entendimento e da imperiosidade de sabermos de nós e dos móbeis de nossas ações, uma reflexão acerca das possibilidades de caminhar em direção aos penetrais de nós mesmos com intensidade e perseverança, pois só com esta determinação conseguiremos alcançar patamares salutares que nos possibilitarão uma apreensão de nossa interioridade, suscitando atitudes mais plausíveis e, deste modo, uma vivência mais pacífica, equilibrada e feliz.

De posse do conhecimento, ainda que incipiente, deste ser que somos, seremos capazes de nos autodeterminarmos em direção a uma estrada que, apesar de árdua, é necessária e conduz ao amadurecimento psicológico, afetivo, emocional, intelectual e relacional.

É, seguramente, nos recônditos de cada um de nós que devemos manter acesa a chama do viver, do querer estar vivo e de uma vida plena, madura e feliz. Quando desistimos destes sentimentos, a mente adoece e, como consequência, o corpo (“mente sã em corpo são”). Para lograrmos êxito neste empreendimento é cogente essa busca incessante por este ser em construção e desvelamento que somos e as possibilidades daí engendráveis.

Somos nossas paixões, desejos, carências, inquietações, limitações e verdades, precisamos entender esse processo de autopercepção de nós mesmos, termos tolerância com o que ainda somos, disposição para mudar o que julgamos necessário ou que nos causa sofrimento, e humildade para compreender que, parafraseando o pensador, “o oceano todo não cabe no nosso copo”. Quando estas possibilidades fizerem em nós morada, estaremos certamente caminhando para a tão almejada felicidade e, de tal modo, para uma vida saudável.

 

 

 

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