O Cotidiano e as Máscaras

Nós somos nossas escolhas, algumas conscientes outras inconscientes. A questão é que mesmo as inconscientes podem ter sido um dia conscientes e relegadas ao inconsciente para nos protegermos de nós mesmos ou, simplesmente, não se tornou conteúdo do consciente, pois nosso crivo não permitiu. Estas escolhas dizem daquilo que somos…

Precisamos encontrar essa relação com nosso eu íntimo para que possamos amadurecer psicologicamente e emocionalmente, desenvolvermo-nos como ser humano e nos tornamos adultos autônomos.

A educação por si só não nos oportuniza tal grau de desenvolvimento e percepção do processo de construção do real e de nós mesmos, pelo menos nos moldes em que está constituída hoje.

 

(Re)conhecer o ser que somos, as personas por nós representadas, as máscaras utilizadas, auxilia-nos no processo de elucidação da sombra que nos acompanha enquanto sujeitos em construção…

Há muito o que ser alcançado nessa formação que disponibilizamos para os nossos e no processo de construção do eu adulto, o qual se constitui como autonomia. Uma necessidade importante é termos atenção para nossas atitudes que se consubstanciam como nossa. Há uma condição necessária para nosso aprendizado sobre a individuação, ou a consciência de si, ou, como denominamos em nossos trabalhos, para nossa autocracia (vide livro A Antropologia filosófica: a educação como elemento fundante do homem) que está vinculada a esta descoberta de aspectos da nossa psique e da integralidade complexa que constitui o nosso ser íntimo.

(Re)conhecer o ser que somos, as personas por nós representadas, as máscaras utilizadas, auxilia-nos no processo de elucidação da sombra que nos acompanha enquanto sujeitos em construção bem como neste nosso processo de autodescobrimento, o qual seria uma possibilidade de cura de nós mesmos.

Podemos asseverar que nós somos, igualmente, nossos pensamentos e nossas crenças, ressignificar esse processo de apreensão do real e da forma como reagimos e/ou lidamos com ele nos habilita a sermos e estarmos melhores posicionados na construção de um eu mais equilibrado e maduro e, certamente, mais apto a captar novas experiências e conhecimentos.

Quando entendermos com profundidade que não precisamos representar personas que sejam aceitas pela sociedade, mas que devemos conciliar nosso eu com nossa sombra e trazermos a lume o ser que somos para fazermos dele um ser ético, harmônico, feliz (dentro da perspectiva aristotélica), capaz de viver com, isto é, em comunidade; iniciaremos o melhor processo de aprendizagem que se pode esperar de um ser racional e, a partir disso, tudo o mais será possível.

Que sejamos não um ego inflado, mas a conciliação do nosso ego com a sombra de maneira equilibrada e sana para, do mesmo modo, tornarmo-nos seres integrais e harmonicamente constituídos. Refletindo com Jung: “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos”.

 

 

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