No Brasil, quem trabalha paga a esbórnia e o trio elétrico

Uma sociedade sem privilégios e cidadãos sem direitos. Esta é a realidade do Brasil.

Desde a chegada do europeu nestas terras que a população do país desconhece o que é ser tratada com respeito e dignidade. O colonizador chegou com uma vontade incontrolável de possuir o novo território e tudo mais que nele houvesse. E, para isto, não hesitou em destruir aqueles que se constituíam em empecilho para concretizar seus desejos.

Conforme Warren Dean (1932-1994), o brasilianista e historiador norte-americano, no período 1505-1605, cem anos, portanto, a ação do branco colonizador reduziu em pelo menos 30% a população nativa brasileira.

Direitos e respeito são valores que o brasileiro desconhece. E ambos integram o corpus da Ética.

Da Colônia ao Império nada mudou. O advento da abolição e da república também não alterou o desconforto da sociedade. Com o vencimento dos anos o Brasil pouco se desenvolveu e pouco realizou. Continua a ser uma nação terceiro-mundista sem qualquer valor agregado.

Apartado dos parques de altas tecnologias, ele empresta apenas a sua mão de obra às grandes empresas que compõem o universo neocapitalista, das quais sabemos apenas as pseudo marcas que se colocam nos mercados de aqui e de alhures, ocultas em nacionalizações nas quais a miséria é atirada em nossa cara cotidianamente nos noticiários que informam sobre fome, mortalidade infantil, índices de criminalidade e de violência urbana.

E o Brasil, entre os líderes integrantes desta lista, também mostra a sua cara. A violência e a miserabilidade são aspectos que nos equipara em todos os índices e indicadores de qualidade de vida, de renda, educação e de ausência total de cidadania. Uma sociedade apátrida, apática, amoral e aética.

Não bastasse o abandono por parte do Estado e da União que mais prega a desunião, o governo instituiu o imposto salário. O trabalhador assalariado é agora o principal alvo da mais perversa instituição existente na máquina estatal, a Receita Federal.

Renda significa: restituir, devolver, dar, cumprir, pagar, recompensar. Diz-se, também, do lucro que se aufere de alguma propriedade ou bem. Mas o governo decidiu que o trabalhador também deve pagar-lhe pelo simples fato de receber o salário que não lhe permite sequer sobreviver com um ordenado indecente de US$ 290, no seu valor bruto.

Quem trabalha e ganha US$ 435 (1,5 salário) é cobrado na fonte. Isto é, paga porque recebe um salário que o governo considera exorbitante. E agora, os déspotas encastelados em Brasília querem acabar com as pequenas benesses que até então favoreciam o desgraçado que se dispõe a trabalhar (o que mais de 50% da população não o faz), como a Previdência, a aposentadoria, o reajuste salarial e a garantia do emprego.

Este é, sem sombra de dúvida, como diz a letra da música, um país tropical e abençoado por deus (o mesmo da historinha do Éden), bonito por natureza… Aqui os que pagam a conta da esbórnia, também sustentam a brincadeira, já que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu.

Rir da própria desgraça, isto é que é uma cultura fantástica.