A memesis e o cotidiano

Termo criado por Richard Dawkins, na década de 70, adaptado por Aaron Lincoln e outros, a memesis é um sistema comum na contemporaneidade, onde as pessoas copiam ideias e procedimentos de outros sem, ao que parece, refletir sobre o que realmente está fazendo.

Vivemos um momento ímpar, que não podemos nos furtar de sopesar, no qual nossa sociedade padece de uma crise moral inquietante; não bastasse isso, nossa educação e nossa formação ideológica nos colocam exatamente onde estamos e onde se desejava que estivéssemos, e a memesis auxilia perfeitamente neste processo, onde, mais uma vez, somos conduzidos sem sabermos ao certo para que lugar e com quais objetivos e, o que é pior, sem nos darmos conta disso.

As mudanças atuais não nos trazem tranquilidade, às vezes, sinto (e tenho percebido esta mesma inquietação em muitos) um desânimo desolador e me pergunto: o que será de nós? O quadro atual com toda essa corrupção; ‘crise’; desmandos; governo (i)legítimo(?); defesa da ditadura por alguns segmentos(??); Patriarcalismo; ‘homo-lesbo-transfobia’; racismo; cortes no orçamento para a educação; congelamento de salário, perspectivas tristes para o serviço público com a PLC 257/2016, a qual é uma vergonha, um retrocesso. Como sempre, o funcionalismo pagando a conta da incompetência dos nossos gestores(?!). Enfim, ‘são tantas emoções’ ruins que precisamos ter muita força para não desistirmos e perseverarmos na conscientização e na luta.

Reitero que as perspectivas assustam, que as pessoas estão indignadas e com pouca esperança, somos uma população dominada pela memesis. A ideologia submete e conduz nossas ações. Nosso processo formativo ‘tradicional’ não nos auxilia na edificação de alternativas efetivas, bem como na construção de reflexão crítica acerca da realidade, seguimos conduzidos como massa oi polloi.

Enquanto nossa educação estiver sob esta égide, difícil será (trans)formar esta realidade sombria. Carecemos de repensar a educação, não que esta seja uma panaceia, o que seria um pensamento ingênuo, insisto nisto, mas só um povo bem-educado, com senso de criticidade, pode ter discernimento para pensar mudanças significativas para esta situação. Contudo, estamos cônscios que educar efetivamente numa perspectiva autônoma leva tempo e exige um esforço hercúleo, mas é condição sinequa non para aviltar novas possibilidades.

Apesar do exposto, é preciso que não desanimemos, que continuemos lutando por melhorias em todos os âmbitos, em especial, no educacional e reafirmemos a proposta de uma educação humanizadora-ético-societária que nos (trans)forme em seres humanos melhores, que compreendamos, de verdade, o sentido de viver com, de coletividade, que respeitemos as diferenças, que empreendamos uma mudança axiológica, que – como dizia Platão – ousemos ‘movermos a nós mesmos’ para que, neste sentido, possamos compreender a proposta freireana, a qual assevera: ‘educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”.

Foto destaque: João Alvarez

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