Lutas e mais lutas, a caminhada pela inclusão

21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, data instituída por Lei desde 2005, escolhida por ser também o dia da Árvore e preceder o início da nossa primavera.

Com este marco lembro agora de um velho ditado chinês que diz : “Quem planta tâmaras não colhe tâmaras. ..” Isso acontece porque as tamareiras levam de 80 a 90 anos para frutificarem. 

Existem as árvores que florescem em menos tempo, a exemplo da Lei Brasileira de Inclusão, que levou em torno de 15 anos para ser publicada, entrando em vigor somente em janeiro de 2016 e já trazendo consigo a necessidade contínua de luta para sua implementação.

Queremos não esperar tanto, mas temos consciência de que muito do que estamos plantando somente será colhido por gerações futuras, mesmo assim seguiremos plantando, por vezes tâmaras, mas sem perder de vista as árvores frutíferas de crescimento rápido e as não menos importantes flores que trazem a diversidade ao nosso quintal, possibilitando a produção de riquezas imprescindíveis com a brevidade almejada!!!!

Ainda nas celebrações do setembro verde, no dia 28, presenciei a força de uma outra árvore, foi assinado na Bahia o protocolo que cria o Fórum de Combate a Violência contra as Pessoas com Deficiência, grande passo na defesa dos direitos dos indivíduos que possuem alguma deficiência. 

Este Fórum tem como principal diretriz implantar e fomentar ações afirmativas de combate a violência direcionada a este segmento populacional, tais como: o acompanhamento de denúncias através do disque 100 e a proposta de implementação de fluxo de atendimento às vítimas.

Muitos momento marcaram aquele dia, merecendo destaque a fala da senhorita Priscila Isabel, assistente social, cadeirante e deficiente visual que, naquele ato, representava o Conselho Estadual dos Direitos das Pessoas com Deficiência -COEDE , e trouxe uma profunda reflexão acerca da violência vivenciada pelas pessoas com deficiência no seu dia a dia, no direito de ir e vir, no acesso à educação, à saúde, ao lazer e tantos outros Direitos Humanos mitigados, sendo enfática quanto à violência sexual sofrida por meninas e mulheres com deficiência.

Neste ponto foram deveras mobilizadoras suas constatações, segundo dados do Ministério da Saúde, em cada 10(dez) vítimas de estupro, 1 (uma) tem alguma deficiência, destacando, ainda, a morosidade dos procedimentos para apuração dos fatos nas delegacias, na adoção das medidas necessárias à punição dos culpados, bem como no amparo efetivo das vítimas. 

Diante da gravidade do quadro descrito, se mostram prementes o desenvolvimento de ações urgentes, este é daquele tipo de árvore que devemos cuidar para que dêem frutos a serem colhidos com rapidez, pois um grande número de pessoas está sofrendo violência agora, e não pode esperar.

Como mulher e baiana que sou, me orgulhei de ver aquela grande MULHER, com uma aparência frágil, mas uma força gigante, clamar pelo direito de TODAS as mulheres. Priscila Isabel, obrigada por nos fazer enxergar e caminhar em busca de soluções, estamos juntas nessa luta!!!! 

 

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