Futebol, jornalismo e carreira, um dedo de prosa com Dudu Monsanto

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Dudu em Pequim (2006), na sua primeira cobertura olímpica.

Um dos mais versáteis de sua geração, apresentou o Pontapé Inicial com José Trajano, programa que alia cultura com futebol na ESPN Brasil. Este é o jornalista esportivo Eduardo Monsanto.

Antes de se firmar no esporte, passou por diversas editorias. Hoje, além de apresentador, é narrador dos canais ESPN. No currículo, apresentou a primeira edição do SportsCenter; duas Copas do Mundo, na África do Sul (2010), e outra na Alemanha (2006); uma Olimpíada em Pequim e o Pan do Rio (2007), e a Copa de 2014, no Brasil, sempre como narrador.

Flamenguista apaixonado, Dudu Monsanto, escreveu o livro “1981 – O Ano Rubro-Negro”, que relata os bastidores da conquista daquela geração, liderada por Zico e campeã mundial, a maior da história do Flamengo. Confira esse bate-papo, aqui no Fatos&Points.

 

F&P – Como surgiu seu interesse pelo jornalismo esportivo? Houve alguma influência familiar ou se inspirou no trabalho de alguém?

Dudu Monsanto – Comecei a viver o universo da comunicação muito cedo. No fim dos anos 80, meu pai dirigia uma Rádio AM em Juiz de Fora e, a emissora transmitia os jogos dos times do Rio de Janeiro. Com uns sete, oito anos de idade ele já me levava para o Maracanã e eu acompanhava o trabalho dos narradores, comentaristas e repórteres. A escolha pelo jornalismo e pela editoria de esportes acabou sendo natural.

 

F&P – Como foi seu início de carreira lá em Juiz de Fora? Quais foram as dificuldades?

DM – Ainda no primeiro período na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora comecei a trabalhar na Rádio Solar AM. Fui repórter esportivo e narrador nessa emissora entre 1997 e 1999. No ano 2000, passei a ser estagiário da TV Panorama, afiliada da Rede Globo em Juiz de Fora. Me formei em 2001 e fui contratado em 2002. A maior dificuldade foi conciliar estudo e trabalho.

 

“O momento mais marcante foi a primeira cobertura olímpica, em Pequim. A Copa de 2010 também foi bastante especial.”

F&P – O que é imprescindível para um jornalista esportivo? Qual sua opinião em relação aos que não declaram o clube que torcem?

DM – O jornalista esportivo é JORNALISTA. Não pode apenas ler as páginas de esportes ou diários especializados. É importante se enxergar como parte de um todo, e não apenas alguém limitado a um único assunto. Exemplo: se você está na Argentina cobrindo um jogo de Libertadores e há uma Greve Geral no país, por que não reportar também para a editoria internacional? Outra dica: a editoria de esportes não deve ser editoria de futebol. Há muitos outros esportes que merecem respeito e destaque, e com o período olímpico se aproximando, muitas oportunidades devem se abrir para aqueles profissionais que não se limitam ao futebol.  Sobre declarar ou não o clube de coração, acredito que cada profissional saiba o que é melhor pra si mesmo.

 

F&P – Como é sua relação com José Trajano? Vocês apresentavam juntos o “Pontapé Inicial”, programa da ESPN Brasil que aliava cultura e esporte. Conte para nós alguma passagem engraçada ou marcante no programa.

DM – Trabalhar diariamente com José Trajano durante quase sete anos valeu mais do que qualquer pós-graduação. Aprendi demais! O Pontapé era muito importante por oferecer uma opção de mais conteúdo e cultura pela manhã, sem deixar de lado o improviso e a irreverência. Tivemos programas inesquecíveis, como quando recebemos Chico Anysio, Milton Nascimento, João Bosco, Djalma Santos… São ótimas lembranças de um período espetacular.

 

F&P – Você escreveu um livro sobre o mítico time do Flamengo da década de 80. Pretende escrever outro? Como foi desenvolver o seu lado escritor?

DM – Já estou trabalhando num livro novo, mas ainda não fechei com nenhuma editora. Escrever um livro-reportagem é uma oportunidade de se aprofundar e contar com mais detalhes histórias que precisam ser mostradas de maneira superficial na televisão. É uma experiência muito prazerosa.

 

“O jornalista esportivo é JORNALISTA. […] a editoria de esportes não deve ser editoria de futebol. Há muitos outros esportes que merecem respeito e destaque…”

F&P – Hoje quais são os principais desafios do jornalismo?

DM – A maior dificuldade do jornalismo é a luta entre os princípios da profissão e as necessidades editoriais dos donos de veículos. Na TV, especificamente, a disputa por audiência é um veneno que vem destruindo a qualidade da programação. Aconteceu com as emissoras abertas, e agora infelizmente se alastra para a TV a cabo.

 

F&P – Todo torcedor tem a sua seleção de craques. Se Dudu pudesse escalar seu time dos sonhos, qual seria? Quem é seu camisa 10?

DM – A Seleção de 1982 e o Flamengo de 1981. Meu camisa dez é o Zico.

 

F&P – Como foi seu “processo seletivo” na ESPN Brasil? Tem alguma dica para quem está começando a carreira jornalística? O que é imperativo desenvolver atualmente?

DM – Trouxe uma fita VHS e mostrei ao Gerente de Produção. Foi em abril de 2004. Ele disse que a TV abriria vagas no ano seguinte, e em dezembro de 2004 fui chamado para testes e aprovado. Vim para São Paulo em fevereiro de 2005.

 

F&P – Você tem experiência em rádio (Solar AM – Juiz de Fora, Minas) e na TV. Quais são as principais diferenças do fazer jornalístico?

DM – O rádio é mais dinâmico e individual. Televisão é um grande trabalho de equipe. A imagem faz do repórter uma figura complementar. No rádio, é dever do repórter construir para o ouvinte o cenário onde a ação se desenvolve.

 

“Meu camisa 10 é o Zico.”

F&P – Qual momento considera marcante na sua carreira? Dudu possui um sonho não concretizado?

DM – O momento mais marcante foi a primeira cobertura olímpica, em Pequim. A Copa de 2010 também foi bastante especial. Ainda quero escrever mais livros e continuar participando da cobertura de grandes eventos.

 

F&P – Deixe uma mensagem para o Fatos&Points.

DM – Um abraço carinhoso aos amigos de Salvador! Tive a oportunidade de participar de um encontro literário em SSA há dois anos, junto com o PVC (Paulo Vinicius Coelho). Foi demais. Nunca esqueço o carinho do povo soteropolitano e admiro demais a paixão que a Bahia tem pelo futebol. É um lugar muito especial, adoraria voltar mais vezes.

 

Créditos da foto destacada: Acervo pessoal

Entrevista original em Jornal Fatos&Points