Fanatismo, futebol, alheamento e corrupção

Não gosto de futebol. Aliás, não gosto de nenhum esporte que usa a bola na sua prática. Esses esportes geralmente levam ao fanatismo. E fanatismo é doença. Quer seja pelo esporte, quer seja religioso ou político. A maior parte dos conflitos e confrontos sociais e humanos se dá em decorrência das ideias fanáticas. Em minha opinião futebol é igual a gozar com o p… dos outros.

No entanto, não se pode descartar a influência que este esporte promove sobre a sociedade brasileira. Primeiramente, o futebol tem sido usado para manter a população no alheamento e sem se dar conta do discurso ideológico imposto pelo Estado. Em segundo lugar, o futebol age sobre o emocional dos torcedores levando-os à barbárie, tal como nas arenas da Grécia e de Roma Antigas. O que faz parte do jogo dos que estão no Poder para exercer o controle sobre a sociedade mediante a ação policial, braço preferido do Estado.

Porém, as disputas que atualmente se multiplicam em campeonatos estaduais, regionais, nacionais, continentais e internacionais tentam dar a impressão de que o mundo gira em torno dos estádios de futebol. Jogadores analfabetos e semialfabetizados passam a ser tratados como estrelas de um mundo em que o saber não tem nenhuma importância ou valor. O que vale é fazer gol, ou evitá-lo. E os jornais impressos, televisivos, radiofônicos e sites da Internet estampam as manchetes que elegem cotidianamente o novo “herói”.

Neste quadro desenvolve-se o Campeonato Brasileiro. Os dois principais times da Bahia estão na versão principal do certame. E nenhum outro clube baiano participa das demais séries que se estendem até a letra D.

Na série A, Bahia e Vitória dão vexames que frustram os seus torcedores, mas enchem as burras dos cartolas dos dois clubes. Torcedores fanáticos não conseguem sequer imaginar uma forma de forçar os dois times a melhorar o desempenho a fim de dar-lhes satisfação. Para que ir ao estádio, pagar caro, se nem mesmo o mando de campo não significa nem implica na conquista de uma vitória? Qual a garantia que os dois “apagões” ano que vem continuam na série A?

Uma lição, contudo, os observadores da sociedade, principalmente os detentores do poder e promotores da bandalheira e da corrupção generalizada, podem tirar disto aí: se o povo não consegue sequer influenciar ou intervir de modo a mudar a situação de um clube esportivo pelo qual desenvolvem ódio e amor fanático, o que dizer de mudar a situação do País pela deposição da corja encastelada no Planalto, no Congresso Nacional e no STF.

Cada povo tem o governo que merece. E também tem o esporte medíocre que permite lhe seja imposto por aqueles que manipulam as massas. Lamentavelmente pode-se perceber o quanto o discurso ideológico do Estado, particularmente neste momento, paralisa os brasileiros, e quanto o fanatismo imobiliza o povo que se agride entre si nas arquibancadas ao tempo em que aqueles que merecem ser surrados continuam a sorver os seus uísques regados a caviar.

E o resto que se dane.

Imagem destaque: Agenda Espírita Brasil