Exposição reúne vencedores do Prêmio Pierre Verger

O que é real em um registro fotográfico? O que é ficção? O que há de afeto nas imagens? O que há de ancestral? Onde está a força feminina? E a obsessão? Essas e outras questões são provocadas pela exposição gratuita Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, que tem abertura hoje, às 19h, no Palacete das Artes, na Graça.

A exposição – que pela primeira vez é coletiva – reúne o trabalho de três fotógrafos premiados e doze selecionados pela sexta edição do concurso homônimo. Durante o evento de hoje, também será lançado o catálogo da exposição com 145 páginas e fotos coloridas. A tiragem de 1500 exemplares será distribuída na abertura e ao longo da mostra, que tem curadoria dos fotógrafos  Aristides Alves, Isabel Gouvêa e Márcio Lima.

Os ensaios fotográficos dos 15 artistas atravessam temas como pertencimento, identidade, intolerância religiosa, realidade e ficção. “O Olhar dos curadores foi o mais diverso e mais atual possível. Um olhar especializado e muito contemporâneo. Viram o presente da fotografia e o que ela aponta”, resume Lia Silveira, diretora da Diretoria das Artes (Dirart) da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), responsável pela realização do Prêmio Pierre Verger.

Mentira real
Primeiro colocado do prêmio, o fotógrafo baiano Paulo Coqueiro, 52 anos, apresenta o projetoNão Minta Para Mim. Composto por 43 imagens, o ensaio problematiza a verdade documental da fotografia, a partir de uma perspectiva ficcional. Ou seja: Paulo não venceu por uma imagem, mas sim por conta de um conjunto de imagens que narram a história de um personagem fictício.

O nome dele é Tito Ferraz, um fotojornalista que desaparece subitamente. Estrangeiro, Tito passou cerca de um ano e meio em Salvador, onde teve o apartamento invadido e o HD do computador martelado antes de desaparecer. Uma espécie de inquérito policial, então, foi instaurado para investigar o desaparecimento do fotógrafo a partir das únicas pistas deixadas: 43 fotos recuperadas do seu computador.

São essas imagens que o público confere no Palacete das Artes, até novembro. “Não Minta Para Mim é um trabalho ficcional, o que não é comum na fotografia. O mais usual é ter a documentação do ‘real’. Esse trabalho faz um alerta sobre o excesso de credulidade que depositamos na imagem, como se fosse possível para a fotografia não mentir. Ela sempre vai ‘mentir’. O real é muito mais complexo do que um quadro fotográfico”, defende Paulo. “Trabalhar com a ficção é mais do que esclarecer, é interrogar o mundo”, completa.

Conjunto
Em Postcards From Brazil, o fotógrafo Gilvan Caldas de Sá Barreto, pernambucano radicado no Rio de Janeiro, faz uma reflexão política e social sobre as raízes e os signos ocultos na paisagem brasileira. Tudo isso a partir do mapeamento das belezas naturais que serviram de cenário para crimes da ditadura militar.

Além de Gilvan, segundo colocado do Prêmio Pierre Verger, a exposição conta com o ensaio Transparências de Lar, da paulista Ilana Bar, que apresenta mais de 30 imagens sobre temas como família, intimidade, afeto, identidade e diferença. Terceira colocada  do prêmio, Ilana faz o retrato de um univereso cotidano, de forma lúdica, que reflete sua vida dividida entre a cidade de Atibaia, em São Paulo, onde cresceu, e a capital paulista.

“Para mim é muita honra ter sido selecionada, ter sido premiada e poder mostrar meu trabalho. A gente, como artista, produz para um dia passar o que sente para o público. Estou junto com outros fotógrafos incríveis, é bem legal o conjunto todo”, comemora Ilana, 29 anos, destacando a coletividade da mostra. “Isso agrega o que está acontecendo na fotografia contemporânea no geral. Mostra o conjunto e não foca só em um”, finaliza.

Serviço
Exposição coletiva do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger
Quando: Abertura nesta terça (19), às 19h. Visitação: de terça a sexta, das 13h às 19h; aos sábados, domingos e feriados, 14h às 19h. Até 12/11.
Onde: Sala Contemporânea Mario Cravo Jr. – Palacete das Artes (284, Graça | 3324-8519)
Entrada gratuita

Fonte: Laura Fernandes, Correio
Imagem destaque: Gilvan Caldas de Sá Barreto/Divulgação