Desafios de pedalar em Salvador

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Pedalar é um desafio constante em Salvador

Usuários reclamam da insegurança e da falta de direção defensiva dos motoristas. O projeto Salvador Vai de Bike melhorou a mobilidade urbana?

A bicicleta vem ocupando o seu espaço nas ruas de Salvador, como um meio alternativo de locomoção. Além de ser econômico, ambientalmente sustentável e saudável, pedalar ficou mais fácil com o sistema de compartilhamento de bicicletas encontradas em pontos espalhados pela cidade, da iniciativa do programa ‘Vai de Bike’, e com as ciclovias disponíveis. Mas, será que esse sistema trouxe melhorias para a mobilidade urbana? E os usuários sabem pedalar com segurança?

Conforme os últimos dados da Transalvador, relativo aos meses de janeiro a abril deste ano (2016), houveram  nove acidentes sem mortes envolvendo ciclistas. Em 2015 foram 141 acidentes com seis fatais. Já o ano de 2014 bateu recordes dos últimos três anos com 172 e cinco mortos. Dentre os bairros com mais ocorrências estão as Avenidas ACM, Dorival Caymmi, Sete de Setembro e Afrânio Peixoto.

Mas é a insegurança que deixa os ciclistas receosos de pedalar por aí, como alerta Lucia Saraiva, ciclista e a criadora da comunidade ‘Amigos de Bike’. “O agravante maior, agora, são os ladrões de bicicletas que se acotovelam na área do tapume do antigo Aeroclube. Todo santo dia tem assaltos de bicicletas e a Policia Militar está ciente de tudo que acontece por ali. Estes tapumes facilitam a fuga e os meliantes escondem as armas também nesse local para evitar flagrantes.”

A ausência de noções sobre direção defensiva e a falta de conscientização dos motoristas de carros, ônibus, táxis e motos são alguns dos pontos citados por Lucia. “Apesar de não ser usuária do sistema ‘Vai de Bike’, vejo que a cidade está mais adequada para as bicicletas em certos trechos. Porém, o mais grave está na grande falta de educação no trânsito, o que espanta muitos simpatizantes, que não utilizam bicicletas com receio de acidentes.”

Adepto do estilo de vida mais saudável, o aposentado Osmar Átila vê a ciclovia como um meio de estimular as pessoas para o esporte. “A pedalada para mim é a maior das virtudes porque trabalha o corpo e a mente ao mesmo tempo. É uma atitude proativa e louvável e acho que esse projeto deve continuar, pois tem muita importância também para os turistas que visitam a nossa cidade, sabem pedalar, e dispõem da bicicleta facilmente para passear.”

Osmar também faz uma observação quanto ao comportamento do motorista e do ciclista. “O motorista disputa o espaço da pista com outro veículo diferente, a bicicleta, que fica totalmente indefesa em relação a um automóvel e, por isso, precisa do carinho e da atenção dos motoristas. Já o ciclista, precisa entender que a velocidade dele é diferente da de quem está caminhando e, então, ele também precisa ter cuidado com os pedestres.”

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro – CTB, a bicicleta tem a preferência sobre os veículos automotores: o motorista deve ceder a passagem ao ciclista nas conversões. E é infração gravíssima ameaçar o ciclista com o carro.

Para a ciclista Lucia Saraiva, a Prefeitura deve massificar uma campanha séria para educar e conscientizar os motoristas de ônibus, como foi feito em 2014.“O motorista ficava montado numa bike estática na garagem das empresas de ônibus, e o outro motorista dirigia o ônibus em uma certa velocidade passando com menos de 1,5m pelo motorista/ciclista, fazendo com que o mesmo se assustasse com a proximidade do veículo”, conta a ciclista que completa: “Os motoristas treinados fizeram uma grande diferença após esse treinamento, quando se encontravam conosco nas ruas, pedalando, incutiram uma total empatia entre nós. Infelizmente, não sabemos o motivo de o treinamento não ter continuado.”

“A educação e a atenção são pontos fundamentais para se pedalar com tranquilidade”, conclui Osmar Átila.

VAI DE BIKE COM SEGURANÇA

Segurança em pedalar pelas ruas deriva, também, de dar atenção aos equipamentos imprescindíveis em uma bike, como o pisca, os faróis dianteiro e traseiro, o capacete e o uniforme. Para o técnico em consertos de bicicletas, Fábio Santos Assis, quando o ciclista está uniformizado os motoristas respeitam mais. “Se não estiver com o capacete, os condutores de veículos e ônibus não respeitam. Vejo isso como uma ‘etiqueta de trânsito’”, pontua Assis.

O técnico também alerta para a manutenção da bicicleta, obrigatória a cada quatro meses. “Se for de trilha, por ser um esporte de alto impacto, a manutenção deve ser feita logo após a prática do esporte. Na revisão é importante atentar para os itens: freios, marcha (se tiver), folgas na bicicleta (guidom, garfo), calibragem dos pneus e a regulagem do coxim (assento)”, explica Assis.

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CONFIRA AS DICAS E PEDALE POR AÍ:

– Mantenha contato visual com os motoristas, utilizando a mão para sinalizar qualquer ação;

– Sempre ocupe metade, ou um pouco menos da metade da faixa, para conseguir desviar de qualquer possível obstáculo. Lembre que o motorista deve manter a distancia igual ou maior a 1,5 metros;

– Pedalar no sentido dos carros. Não pedalar pela contramão;

– Evite andar na calçada; caso não possa andar pela rua, dê total preferência ao pedestre ou siga desmontado; lembre-se que andar perigosamente na calçada acarreta a apreensão da bicicleta. Se for atravessar em uma faixa de pedestre vá desmontado;

– Motoristas não têm uma visibilidade da rua tão ampla quanto você, além de estarem dirigindo veículos maiores e mais rápidos. Para não causar acidentes, utilize luzes e refletivos;

– Buzina, espelho e sinalização (na frente, atrás, nas laterais e nos pedais) são obrigatórios. Os fabricantes de bicicletas devem vendê-las já com os acessórios.

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