Comportamento e Educação

A ansiedade é um processo do organismo para nos deixar preparados para situações que demandem adequações ao ambiente, prepara-nos para adversidades, por exemplo, constitui-se em uma emoção própria do ente humano. O que não deve ocorrer é esta mesma sensação se tornar uma constante em nossas vidas, quando isso acontece poderemos apresentar diversas reações, inclusive somatizações que podem nos conduzir a transtornos psicológicos ou doenças mentais.

Com efeito, quando se prorroga a permanência nesse estado de ansiedade, o indivíduo pode ficar agressivo ou ter reações defensivas desnecessárias, impaciência, palpitação, ter aumento na pressão sanguínea e da frequência cardíaca, falta de ar, dores de cabeça, dores musculares ou tonturas provenientes da falta de ar, sudorese, dentre outras. É muito comum processos mais sérios de ansiedade desencadear síndrome do pânico, por exemplo. Um outro aspecto é que as mulheres são mais propensas a serem diagnosticadas com Transtornos Ansiosos, também pudera, isto pode ocorrer devido a carga psicológica e física que é submetida numa sociedade patriarcal…

Na hodiernidade, a ansiedade tem alcançado limiares que não são saudáveis e, aliada ao cotidiano estressante que muitos vivem, está se transformando em problema de saúde pública. A OMS sugere que 33% da população mundial sofre com ansiedade, no Brasil, considerando o estudo epidemiológico dos transtornos mentais, São Paulo Megacity Mental Health Survey, 29,6% dos indivíduos na Região Metropolitana apresentaram transtornos mentais nos 12 meses anteriores à entrevista (realizada em 2016), os mais destacados foram os transtornos de ansiedade, os quais afetaram 19,9% dos entrevistados.

 

São pontos diretamente relacionados com a psique do sujeito, que irão definir uma saúde mental e, por conseguinte, maior cognição, […] Contudo, questões existenciais de grande relevância são, em geral, ignoradas no nosso processo formativo…

A revista exame (para quem tiver interesse de aprofundar, fizemos aqui um breve resumo da matéria publicada), também, apreciou este mês uma pesquisa divulgada no Journal of Abnormal Psychology, dela participaram 988 voluntários nascidos entre abril de 1972 e março de 1973 em Dunedin, na Nova Zelândia. Esses indivíduos foram avaliados 13 vezes, dessas avaliações, oito foram realizadas entre os 11 e 38 anos. A intenção era analisar a saúde mental destas pessoas, estudiosos perceberam que um percentual alto, 83%, era propenso a desenvolver na meia idade (35-58 anos) ansiedade e depressão. A pesquisa encontrou os seguintes números, a metade estudada teve um problema mental que se prolongou por muito tempo, por exemplo, transtorno bipolar e psicótico e a outra metade avaliada teve algum evento rápido como uso excessivo de substâncias ou transtorno de ansiedade.

Considerando a relevância do tema e sua repercussão no nosso cotidiano, gostaríamos de propor uma outra reflexão que, neste contexto, julgamos pertinente: por que nossa educação não discute questões relevantes e conexas como a referida no conteúdo programático? São pontos diretamente relacionados com a psique do sujeito, que irão definir uma saúde mental e, por conseguinte, maior cognição, considerando até mesmo a perspectiva deletéria do capital, maior possibilidade de produção e resultados. Contudo, questões existenciais de grande relevância são, em geral, ignoradas no nosso processo formativo, esperamos, quiçá um dia, modificar esta realidade.

Algumas sugestões para não deixar a doença se instaurar são, principalmente, desenvolver o autocontrole, a prática de exercícios físicos, meditação, ioga, alimentação saudável e buscar ter um sono equilibrado. Sem dúvida a melhor solução é a prevenção. É preciso, além disso, identificar quais os acontecimentos que causam estresse e ansiedade para cada indivíduo e tentar administrá-los, em especial, quando muitas são as possibilidades, desde o ambiente até questões pessoais significativas, problemas de saúde e tantos outros.

Uma técnica que certamente auxiliará na prevenção ou no controle do transtorno de ansiedade é a busca de entendimento do nosso processo pessoal, um retorno ao nosso eu íntimo, um (re)encontrar-se consigo mesmo, buscando compreender nossas carências, medos, afetividades, necessidades.

Muitos filósofos, psicólogos e outros tantos pensadores sugerem algo parecido com este processo de auto percepção. Faremos algumas explanações nas nossas colunas acerca deste assunto. Enquanto isso, faça uma meditação auxiliado por Jung, ‘quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta’, acompanhe-nos e até a próxima.

 

 

 

Créditos da imagem: blog.clubedequemmalha.com.br