Chegou a Paralimpíada Rio 2016 e com ela mais visibilidade para as pessoas com deficiência?

Os atletas realizam as provas e nas mais diversas modalidades pode se ver o tanto de dedicação e empenho de cada um deles para alcançar a vitória. Já quebraram o record paralímpico que foi estabelecido em Pequim 2008, correram com índice para vencer nas próprias Olimpíadas, e tanto mais. Sim, isso é Superação… eles lutam por patrocínio, trabalham duro para chegarem aos seus resultados e, assim como qualquer esportista, querem subir ao pódio.

São homens e mulheres que vivem em uma sociedade que exige de cada um grande esforço para ter os seus direitos garantidos, mostrando-se muito simbólico, dentre tantos registros da abertura da Paralimpíada, o momento em que se buscou espelhar o mundo no qual vivemos e convivemos, através do grande medalhista da natação, Clodoaldo Silva, quando para acender a NOVA chama, se depara com um obstáculo. Foi emblemática a sua parada frente a uma escada que logo depois é modificada e rampas surgem entre os degraus, demonstrando como devem ser abertos caminhos que possam ser acessados por todos.

Fora do script, mas não menos real, foi a passagem de Marcia Malsar, ex corredora, que ao conduzir a tocha cai no meio do caminho, não se dando por vencida, logo depois levanta cumprindo sua missão.

Super heróis? Não (esses não precisam ver salvaguardados Direitos Humanos). O que vemos, mesmo com a limitada visibilidade dada ao evento, são atletas, pessoas com deficiência, cidadãos que tem seus direitos negados em várias situações e precisam superar muitas adversidades como o limitado acesso a saúde, lazer, trabalho, educação e ao direito de ir e vir. Humanos que lutam para ter a sua condição de pessoa com necessidades específicas legitimada em nossa sociedade e assim poder pertencer a um mesmo conjunto.

Ainda falaremos em Direitos Humanos e entenderemos que neles estão inseridos TODOS… Teremos uma só chama Olímpica e direito a mesma visibilidade, afinal, quando o primeiro fogo foi apagado com ele sumiram as maiores redes de TV aberta (aquelas que todos tem acesso), não se identificam muitos patrocinadores, ficando, principalmente, marcado que ainda não se vivencia com inteireza a Declaração Universal de Direitos Humanos que afirma: “Todas as pessoas, mulheres e homens, nascem livres e iguais em dignidade e direitos […]”.

 

Super heróis? Não […] O que vemos, mesmo com a limitada visibilidade dada ao evento, são atletas, pessoas com deficiência, cidadãos que tem seus direitos negados em várias situações e precisam superar muitas adversidades…

 

Quando os jogos paralímpicos surgiram, aconteciam em sedes separadas, hoje estão na mesma sede, mas ainda ocorrem em momentos distintos, precisamos avançar, isto é certo. Constatamos que é preciso ser acesa uma só chama Olímpica, que dê espaço para que todos tenham os seus potenciais e habilidades apresentados ao mundo, em cada modalidade esportiva, cada um com suas peculiaridades, igualmente brilhantes.

Bom de ver os atletas nos jogos paralímpicos, a superação, torcer por nossas medalhas, que apontam para o reconhecimento de lutas individuais e a conquista de alguns avanços sociais, mas queremos mais, não lugares específicos para gente específica longe do espaço e dos olhos de TODOS.

 

 

Créditos da imagem: i2.wp.com

SER DOWN por Lívia Borges

Assistente Social, membro da Ser Down - Associação Baiana de síndrome de Down.

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