BRASIL. Um país domado pela ideologia populista

Dois equívocos muitos comuns nas falas dos brasileiros são, primeiro, a de que o Brasil é um país capitalista, a segunda, de que se trata de um país democrático. Nenhuma das duas coisas tem a ver com o Brasil.

No caso do capitalismo, comentamos a respeito no artigo anterior. A economia e o fundamento estatal, neste sentido, confirmam que somos ainda mercantilistas, embora tal sistema seja coisa do século 18, ou seja, antes da Revolução Industrial, ocorrida em 1760.

No tocante à democracia falamos de algo que em toda nossa História não nos diz respeito. Começamos como uma colônia espoliada, cujos habitantes nativos foram escravizados e assassinados a sangue frio enquanto o colono expropriava as riquezas aqui existentes.

Vencida a primeira etapa das barbaridades perpetradas contra os índios, a terra foi ocupada pelos portugueses e negros escravizados retirados da África e trazidos para cá sem qualquer dignidade humana. Aliás, nem humanos eram ambas as etnias – índios e negros – considerados pelos brancos invasores com as bênçãos da santa Igreja.

Viveu-se então o tempo do Império. Enquanto a América espanhola e inglesa cresciam, a portuguesa estagnava. Direitos somente para os bons súditos e bons católicos. Ao mesmo tempo uma história ficcionista era criada em torno do Brasil, desde a versão de um suposto descobrimento, com passagem pela abertura dos portos às nações amigas, instalação da família real, criação do império, independência, abolição da escravatura, e proclamação da república.

Em todos os momentos vivenciou este país, até hoje longe de se constituir em uma nação, o estilo político cognominado de populismo. Que vem a ser, “doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas”, conforme define o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa (https://www.priberam.pt/dlpo/populismo).

 

Nada serve melhor ao populismo do que a ignorância promovida pelo discurso ideológico. O discurso construído para fazer o cidadão crer que possui direitos…

Para melhor se entender o populismo, preciso se faz entender o que é ideologia. O discurso ideológico é aquele cujo corpo vem pleno de representações que nos “ensinam” a como e sobre o quê devemos pensar e de normas que nos “ensinam” a como agir de acordo com Marilena Chauí (1980).

De acordo com esta autora, a ideologia dá aos membros da sociedade dividida em classes uma explicação racional sobre as diferenças sociais, políticas e culturais, mas sem, em qualquer instante, atribuir tais diferenças à divisão de classes a partir das divisões na esfera da produção. A função da ideologia é apagar as diferenças, como as de classes, e dar aos indivíduos o sentimento de identidade social através do encontro de referenciais identificadores de todos e para todos, a exemplo de humanidade, liberdade, igualdade, nação ou Estado.

Nada serve melhor ao populismo do que a ignorância promovida pelo discurso ideológico. O discurso construído para fazer o cidadão crer que possui direitos, apesar de não saber sequer o que é ser cidadão e o que é cidadania. Achar que as esmolas concedidas pelo governo são parte de um programa de bem-estar social. Que o salário mínimo é digno e que imoral é ganhar muito bem. Que “minha casa, minha vida” dá dignidade a alguém e que fixar cotas pela estratificação social é fazer reparação, quando na verdade ratifica o sistema de casta, no sentido mais perverso, que subdivide a sociedade brasileira.

O populismo é a pior das formas de imposição de uma ditadura social, acobertada por um discurso que sonega o conhecimento, o direito ao saber, (a exemplo de conhecer a história real deste país). Impede o homem de superar a ignorância e evita a formação de uma sociedade honesta e verdadeiramente livre.

 

 

 

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