BRASIL: Mercantilismo, Pobreza e Salário Mínimo

O brasileiro sofre de complexo de inferioridade. Além de não possuir autoestima e se reconhecer como um borderline social. Isto é, ele se desconhece como cidadão e como sujeito. Logo, pode-se concluir tratar-se de um povo sem identidade nacional.

Para este povo, o nivelamento social deve ser feito pelo parâmetro dos mais pobres, dos menores salários em vez de pelos mais bem sucedidos e pelos salários mais altos. As denúncias da imprensa sobre salários de juízes, promotores, servidores públicos, entre outros, escandaliza a população quando, em muitos casos, não extrapolam 30 ou 40 salários mínimos.

Esta realidade é tão gritante que nenhuma indústria em operação no País produz 100% da sua capacidade instalada. As mais otimistas trabalham com produções restritas a 70% da sua capacidade operacional e a maioria limita-se a 60%.

Quanto você ganha? Esta pergunta é quase que um interrogatório ideológico. A maioria se situa na faixa de um (mais de 40 milhões de trabalhadores) a três salários mínimos. E quem percebe mensalmente a fabulosa quantia de 2,03 salários já engorda o Leão com 7,5% de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRPF).

 

Para tanto, os salários são controlados pelo Estado, que define os seus valores e a carga tributária que sobre eles incidem.

Aqueles que alcançam a marca de 4,9 salários nacionais (exatos R$ 4.664,68) são abocanhados pela gula estatal em 27,5%.

E ainda dizem que o problema do Brasil é o capitalismo. O Brasil nunca foi capitalista. Sua economia tem o ranço do império colonialista português e mantém um pé fincado no mercantilismo, ou seja, um conjunto de medidas econômicas praticadas na Europa entre os séculos XV e o final do XVIII. Sua marca mais forte é a intervenção do Estado na economia, a exemplo do que assistimos hoje no Brasil.

O Estado age como intervencionista na economia, protege a implantação de novas indústrias do aumento dos direitos alfandegários sobre as importações, (protecionismo), controla os consumos internos de inúmeros produtos, e promove a colonização de novos territórios (monopólio) como forma de garantir o acesso a matérias-primas e o escoamento de produtos manufaturados. Vide, no caso da Bahia, as empresas do Polo Petroquímico, a Ford e outras menos ou mais votadas.

Para os pensadores mercantilistas o desenvolvimento econômico do Estado se dá por meio do comércio exterior e o Estado adquire papel primordial na formação da riqueza nacional ao adotar políticas protecionistas, pela fixação de barreiras tarifárias e medidas de apoio à exportação.

Para tanto, os salários são controlados pelo Estado, que define os seus valores e a carga tributária que sobre eles incidem. No capitalismo, os salários são construídos pela livre negociação. Nesse modelo, todos sabem que bons salários alimentam o comércio, mantêm a economia em funcionamento e o capital se movimenta e dá corpo ao social.

Mas ganhar bem no Brasil levanta acusação dos menos aquinhoados de se ser corrupto ou ladrão. Esta é a triste cultura de um povo famélico, vitimado pela ideologia populista, alheio e desinformado. Um povo que considera o trabalho como castigo (o preço do pecado) e sonha com a mega sena para parar de trabalhar.

Neste caso, cabe parodiar Gregório de Matos Guerra, o Boca do Inferno: Triste Brasil!

 

 

Créditos da imagem: www.jornaledicaodobrasil.com.br