Bebê Johnson e a evolução da caminhada

No nosso dia a dia, trabalhando com movimento social em busca da inclusão das pessoas com deficiência, vimos importantes transformações sociais, apesar de entender que a velocidade da mudança não foi exatamente como queríamos que ocorresse. Mas foco aqui em um fato que foi muito abordado nas redes sociais e que sim, mostra a evolução de uma caminhada.

As mães de crianças com deficiência foram lembradas com destaque pela mídia nesse mês de maio. E o mais importante, tendo os seus filhos representados no protagonismo das pessoas com deficiência.

Destaco a propaganda da Johnson, que traz um encantador bebê esse ano e ele tem Síndrome de Down. Lembro que em um dos primeiros artigos que li, me aproximando do universo das questões da deficiência, em especial da Síndrome de Down, havia uma abordagem sobre as famílias e o apoio necessário a ser oferecido, pois todos esperavam a chegada de um bebê Johnson e, quando esse filho não era aquele pelo qual se aguardava, os apoios para o enfrentamento inicial eram fundamentais. Isso aconteceu na década de 90 e nesse período o significado para o bebê Johnson era muito forte, a cada ano as campanhas eram massivas para escolha do mais lindo!!!! O bebê dos sonhos!!!

As famílias que recebem os seus bebês com alguma deficiência continuam precisando de todo apoio e encaminhamentos necessários, mas o que podemos ver esse ano foi uma singela mudança no padrão Johnson, agora reafirmamos que todas as crianças são bem vindas, existem aquelas com deficiência e elas precisam ser apresentadas a sociedade. E assim caminhamos, o bebê Johnson 2017 é lindo, gracioso, de uma empatia ímpar e ele tem Síndrome de Down.

Outras campanhas publicitárias também apresentaram mães e seus filhos com Síndrome de Down, foi o caso do Shopping Salvador e da Trousseau, exemplos que contribuem para tirar as pessoas com deficiência da invisibilidade.

Ah! Trago nestas linhas um contentamento pessoal… Há 20 anos por mais que eu enxergasse o meu lindo bebê com Síndrome de Down, NÃO havia a possibilidade dele estrelar uma campanha publicitária. Hoje o universo publicitário me mostra o que há 20 de anos eu sabia, meu bebê era um autêntico “bebê Johnson”, a diferença é que agora conquistamos algum espaço para demostrar isso.

Vale a pena lutar, continuamos lutando ….só não gostaríamos de esperar mais 20 para ver salvaguardadas outras garantias!!!!

SER DOWN por Lívia Borges

Assistente Social, membro da Ser Down - Associação Baiana de síndrome de Down.

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