Arena tem 10 horas de música Sound System neste sábado

A cena musical não é nova. Alternativa, talvez. O som vem da rua e de longe. Foi na Jamaica de 1950 que nasceu o sound system que há tempos ganha força e forma na Bahia.

Através dos paredões novíssimos em folha do anfitrião da festa, o Ministéreo Público Sistema de Som, a música que nasceu pro povo invade a Arena Fonte Nova neste sábado, a partir das 14h, e reúne grandes nomes.

Russo Passapusso, Lazzo Matumbi, Lívia Nery, Dj Magrão, os cariocas do Digital Dubs com Black Alien e BNegão Trio, os paulistas do Deskarreggae Sistema de Som com Junior Dread, além do inglês Prince Fatty com Monkey Jhayan e Horseman. Todos prometem trazer um evento inédito e com 10 horas initerruptas de música.

Outra atração confirmada é o cantor jamaicano Cedric Myton, que acaba de completar 70 anos e está em plena atividade, considerado um ícone da Reggae Music.

“Vai ser incrível receber grandes nomes do reggae e do sound system no evento. São artistas que tocam em grandes palcos e estarão pertinho do público”, conta DJ Raíz, anfitrião da festa com o Ministéreo Público, sobre a cultura do ritmo em aproximar a música e o artista do público.

Três paredões comandarão a festa com três rodadas de 45 minutos de cada, o equivalente ao primeiro tempo de uma partida de futebol. Segundo DJ Raíz, essa sequência intercalada vai fazer as pessoas entrarem no clima no estádio.

Início

O sound system, que tem como intuito maior a democratização da música, nasceu nos guetos de Kingston, capital da Jamaica, como uma alternativa para quem não tinha o cacife de frequentar os clubes de festas.

Para a cantora e compositora Livia Nery, o ritmo foi responsável por imprimir uma marca irreversível na cultura pop e traz elementos singulares como o mestre de cerimônia e as grandes caixas de som.

“É uma música feita pro povo, que nasce dessa democratização. A Bahia tem um território predisposto ao ritmo por ter uma grande afinidade com o reggae”, analisa Livia que se apresenta amanhã junto com Russo Passapusso, Lazzo Matumbi e Ministéreo Público.

O ritmo, que ainda tem um forte compromisso com as pautas sociais, traz a conscientização através da arte sem levantar rótulos.

“O ritmo fala de comportamento, comunidade, amor e música. Cultua o lado familiar. Nasce do gueto para mudar a realidade de quem tem contato todos os dias com mazelas”, conta o cantor do BaianaSystem, mas que se aprensenta individualmente neste sábado, Russo Passapusso.

Russo ainda debate o rótulo de “nova cena” imputado no sound system.

“Não existe isso de nova cena, que as pessoas tanto insistem em rotular, as pessoas vem fazendo o trabalho ha muito tempo e, além disso, tiveram referências que lutaram pela música antes deles. É resultado de uma vida inteira, de muito esforço. A música permite experimentações e está em eterno processo de reinvenção”, pontua o cancioneiro.

Fonte: Ana Carolina Passos, A Tarde
Imagem destaque: Fernando Vivas | Ag. A TARDE