Aprenda a planejar e saiba como escapar das fraudes na Black Friday

O cronômetro está rodando: faltam exatamente 25 dias para a Black Friday, que neste ano cai em 24 de novembro. De acordo com a Ebit, empresa que realiza pesquisas sobre comércio eletrônico no país, a expectativa é que as vendas tenham alta de 15% em relação ao ano passado e o faturamento chegue a R$ 2,185 bilhões. A Bahia, que deve ser responsável por 101,8 mil pedidos, é um dos estados dos quais mais se esperam que as pessoas sejam ‘mão-aberta’: o valor médio gasto por cada cliente deve ser de R$ 748,7. Mas como ter certeza que você está economizando e não caindo no conto da Black Fraude?

Para Fábio Sakae, vice-presidente de Marketing e Produto do Buscapé (aplicativo de comparação de preços), é bom ficar ligado no clássico ‘a metade do dobro’. “O mais comum é o aumento de preços anterior à Black Friday e depois uma redução repentina baseada nesse aumento”, explica. Para não ser iludido por um desconto falso e valorizar o seu dimheiro, pesquisar é a saída. “Não é da nossa cultura fazer pesquisa antecipada, mas se você favoritar os produtos que está acompanhando no site, receberá alertas (de mudança de preço)”, aconselha. Outra saída é tirar print da tela e depois checar se na data houve diferença, ou acompanhar sites como o Buscapé, que mapeia os preços em um período de até 9 meses.

A orientação dada por Fábio é exatamente o que o músico Louis Casé coloca em prática. Ele, que compra na Black Friday desde 2009, teve as primeiras experiências com lojas online do exterior. Quando perguntado sobre os descontos no Brasil, ele foi direto: “as promoções que vejo são geralmente para enganar”. Porém, ele nunca foi vítima. “Já dou uma pesquisada faltando uns dois meses antes e quando vai chegando o período sei se houve mudança de preço”. Não à toa, em uma loja física, ele conseguiu comprar uma televisão que custava cerca de R$ 1.600 por R$ 900. desconto de mais de 40%.

Para consolar as desconfianças do músico, Fábio defende que o termo ‘Black Fraude’ tem perdido cada vez mais popularidade e neste ano não deve ser diferente. Um fator que pode colaborar é a expansão da Amazon no Brasil. Há cinco anos no país, a empresa passou a apostar, no último dia 18, não só na venda de livros, mas principalmente de produtos eletrônicos – segmento que, coincidentemente, lidera o ranking de intenção de compras (34%) na Black Friday, segundo a Ebit.

 Fábio explica que “isso (chegada da Amazon) fez com que a competição entre as grandes lojas aumentasse e, com a tendência de buscar espaço, fica mais difícil (para a concorrência) colocar os produtos mais caros”.

Segurança na rede

A segurança do consumidor também está, antes de tudo, em suas próprias mãos e a um clique. Como a maior fatia das vendas da Black Friday acontece no ambiente online, em algum momento é possível se deparar com golpes virtuais. Para Gerson Rolim, diretor de comunicação e consultor do comitê de varejo online da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), com a chegada do evento é preciso ficar ainda mais atento à caixa de e-mails, por exemplo. Não é à toa: segundo a empresa de antivírus Kaspersky Lab, o Brasil está desde 2015 no topo do ranking de invasão de contas para obtenção de dados do usuário, o phishing.

No geral, “o fraudador envia um e-mail fingindo que é uma loja conhecida e dá descontos tentadores para capturar informações que lesam o consumidor”, explica Gerson. Para evitar, o melhor caminho é a desconfiança, principalmente quando os descontos são muito tentadores – ‘90% off’. A orientação do consultor é pegar os dados e procurar a promoção diretamente no site da loja, sem clicar no link do e-mail. Na hora de fechar o carrinho, a cautela continua: é preciso analisar se os meios de pagamento são conhecidos e é bom fugir de boletos, principalmente se é a única opção oferecida no site. “O cartão de crédito é a melhor opção para o usuário final porque o estorno é mais tranquilo. Se você identifica uma compra que não foi feita por você, basta ligar (para a central – número geralmente no verso)”.

Seja por problemas de segurança  ou promoções falsas, o consumidor não deve se calar. Para denunciar, existe desde o Procon até sites como o Reclame Aqui. Além disso, Fábio Sakae dá uma dica: “não gostou? coloca na rede”. Além de alertar outras pessoas, reclamar nas redes sociais é uma forma de ser ouvido.

É a hora de gastar o meu 13º sálário?

Se a Black Friday está na porta, a primeira parcela do 13º salário também está prestes a entrar no bolso de alguns: de acordo com a lei, o empregador tem até o dia 30 de novembro para fazer o pagamento. Com a coincidência no período, muitos devem estar planejando gastar a gratificação de natal com o evento. Porém, é importante ficar atento para não sair do eixo e começar 2018 com as contas no vermelho. Segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) realizada no ano passado, 31% dos consumidores admitiram que não conseguem resistir às promoções e gastam mais do que podem na Black Friday.

Para o educador financeiro Edval Landulfo, a primeira questão a se considerar na hora de gastar o 13º no evento é a própria situação financeira. “Se o consumidor possui dívidas, o ideal é usar parte ou a totalidade para quitá-las”, aconselha. Caso o dinheiro não tenha nenhum compromisso, aí sim é válido usar e aproveitar as promoções, mas com cautela. Isso significa que caso haja a necessidade de comprar algo, está liberado; caso contrário, não há motivo para criar despesas. “Consumo por consumo você acaba deixando o objeto jogado no canto e isso é deixar dinheiro de lado”, afirma.

Felipe Benfenatti, educador financeiro, concorda com Edval. Ele ainda acrescenta que o 13º surgiu no Brasil em 1962 com o intuito de ajudar a pagar as contas, fazer as compras de natal, movimentar a economia e preparar o bolso do trabalhador para as despesas do início do ano. Sendo assim, ele aconselha: “antes de comprar é preciso pensar se é uma real necessidade naquele momento porque não se justifica trocar um valor que vai te ajudar a sanar algumas necessidades por um prazer momentâneo”.

Outra questão a ser considerada é o uso de cartões de crédito. Para Edval, ele pode ser um “grande complicador porque há uma falsa sensação de que o crédito faz o alongamento do salário”. No fundo, não é bem assim, afinal as parcelas um dia chegarão. Para saber se o limite deve realmente ser usado, ele indica que seja feita uma previsão futura. “Vou trazer esse orçamento e pensar: ‘se vou dividir em dez vezes, as prestações vão se encaixar? Não, então isso pode dar dor de cabeça’”, exemplifica.
Para visualizar melhor como as contas vão se comportar a longo prazo, o educador financeiro aconselha que seja utilizada uma planilha com as receitas e despesas ou algum aplicativo de celular que dê esse diagnóstico.

Esse é justamente o caso de Victor Fortunato, estudante de Engenharia Mecânica. Há dois anos, ele comprou um celular e um fone de ouvido durante a Black Friday – porque realmente precisava e depois de muita pesquisa. Para aliviar no bolso, Victor dividiu no cartão de crédito. “Não tinha nenhuma parcela em aberto e estava tudo no verde”, relembra. Hoje, ele continua com as finanças ‘na ponta da planilha’, mas diz que vai fugir das promoções. Para o orgulho dos educadores financeiros, o motivo é a falta de necessidade.

Dica da semana: fuja dos pecados da Black Friday

Listinha: O evento está se aproximando e o momento é de fazer a lista do que precisa. Não vale perder o controle e sair comprando tudo o que vê pela frente. Descontos são bons, mas não devem ser o motivo para comprar o que não precisa.

Pesquisa: Viu um selo avisando que a promoção era de 40%, comprou e ficou feliz. Só que uma semana depois o preço estava congelado. Para evitar cair nas falsas promoções, pesquise antes. Comparar preços é a melhor maneira de não ser enganado.

Prazo de entrega: O fim de ano está na porta e você pretende comprar os presentes de Natal na Black Friday? Pode ser uma ótima ideia, mas não esqueça de olhar o prazo de entrega. Talvez o trenó se atrase e você fique sem presentinhos para dar naquele amigo-secreto.

Orçamento: O ano termina e 2018 já está na porta com a volta às aulas e alguns impostos. Portanto, fique atento ao seu orçamento. Se as dívidas estão em aberto, não é interessante gastar dinheiro durante o evento.

Fraude: O termo ‘Black fraude’ se tornou muito comum quando o evento começou a acontecer no país. Os motivos geralmente giram em torno dos preços enganosos ou golpes virtuais. Para não cair nisso, observe se o site é confiável e pesquise referências antes de comprar.

Boleto: Na hora de encerrar a compra, perceba quais são as formas de pagamento. Caso o site só aceite boleto bancários, fique de olhos bem abertos. A melhor forma de comprar no ambiente virtual é usando o cartão de crédito. Caso você veja alguma compra que não foi feita por você, é só ligar para a admi-
nistradora que haverá o estorno.

Parcelado: A mercadoria não é tão barata, mas você tem o cartão de crédito com um limite tentador. Observe se você terá condições de arcar com as parcelas antes de fechar a compra.

Fonte: Maryanna Nascimento, Correio
Imagem destaque: Pixabay