Apenas 43% dos jovens aptos para ser aprendizes são contratados

O mercado de trabalho da Bahia admitiu 17.107 jovens por meio da Aprendizagem Profissional, entre janeiro e dezembro de 2017, segundo o Ministério do Trabalho. O número representa menos da metade (43,53%) do potencial de admissão previsto para o estado, fixado em 39.253.

O resultado obtido no estado é reflexo do cenário nacional, onde mesmo com a marca de 97.721 aprendizes ingressados no comércio em 2017, setor com maior índice de contratação, o potencial de admissão do país (939.731) ficou distante do número de contratações (386.791) realizadas. Para o ministério, o desafio é expandir as incorporações por todos os setores.

“O comércio tende a ser o maior contratador pelo fato de ter funções consideradas de menor risco para os jovens e contar com o próprio meio de ensino profissional, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)”, explica Kamila Araújo Bezerra, representante do secretário Leonardo Arantes, do ministério.

Para Kamila, a argumentação de não contratação de jovens por causa da insalubridade de determinado ambiente ou serviço, feita pelos empregadores de determinados setores industriais, não é justificativa para as empresas não baterem a cota mínima de 5% de aprendizes, prevista na Lei da Aprendizagem (10.097/2000).

“Os empregadores não podem contratar uma pessoa menor de idade para atividades insalubres, no entanto é possível colocar o adolescente em escritórios ou laboratórios. O programa de aprendizagem é voltado para jovens de 14 a 24, no caso de pessoas com deficiência, não existe o limite máximo de idade”, diz.

Atividade comercial

Na farmácia da rede Pague Menos no Jardim Apipema, a estudante de direito Larissa Lima, 20 anos, atua no atendimento ao público. Há nove meses, ela reveza a rotina de trabalho com a formação profissional na área comercial, feita de forma presencial no Instituto Brasileiro Pró Educação, Trabalho e Desenvolvimento (Isbet).

“A minha rotina é bem organizada. Ela é dividida entre as aulas na faculdade de direito, realizadas pela manhã, e o trabalho na farmácia, no período da tarde. Entre a segunda e a sexta-feira, essa rotina só é quebrada na terça, quando, ao invés de ir para o trabalho, me desloco para o Isbet”, contou Larissa.

A jovem tem o contrato de quatro horas diárias de trabalho na farmácia. Ela recebe cerca de R$ 421 por mês. O contrato de trabalho do jovem aprendiz, dentro de uma mesma empresa, pode ser renovado pelo período máximo de dois anos.

Preparação profissional

No processo de qualificação profissional feito no Isbet, Larissa aprende conteúdos que visam ao aperfeiçoamento de habilidades ligadas ao comportamento e à comunicação no ambiente do comércio.

“Participar da aprendizagem não é algo que acrescenta apenas para o ingresso no mercado de trabalho, existem habilidades que foram desenvolvidas na experiência com o comércio que não ficam restritas ao setor. Hoje tenho ainda mais paciência na resolução de problemas, por exemplo”, contou a estudante.

Para Jeane Santana, assistente de aprendizagem do Isbet, o programa de aprendizagem profissional é uma oportunidade eficaz de ingresso no mercado de trabalho.

“O comércio é o referencial pelo fato de as vendas nunca pararem, mesmo com as adversidades da economia do país. Além desse setor, empresas da área industrial também oferecem oportunidades para a inserção dos jovens no mercado de trabalho”, diz Jeane.

A assistente afirma que os conhecimentos obtidos no processo de qualificação não ficam restritos ao setor de atuação do jovem, pois podem ser usados em todas as profissões.

Fonte: Thiago Conceição, A Tarde
Imagem destaque: Margarida Neide | Ag. A TARDE

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